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Novembro de 2009 - Revista Saúde Business - Ano 02 No.12

vento a favor

Ana Paula Martins – amartins@itmidia.com.br

Aproveitando uma oportunidade de mudança de cenário, a Segmenta viu o seu faturamento ser multiplicado por seis vezes em dois anos de atuação no mercado. Investiu em uma nova linha de produção e cria agora um laboratório de desenvolvimento. E planos não faltam para crescer.

Enquanto algumas empresas reclamam da morosidade e das dificuldades do ambiente regulatório brasileiro, outras acabam se beneficiando com algumas medidas. Esse é o caso da Segmenta, empresa especializada em soluções em sistemas fechados, antissépticos e saneantes, que viu seu faturamento dobrar depois da que a Resolução RDC nº 45, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entrou em vigor. A resolução determina boas práticas de utilização e fabricação com sistema fechado de soluções parenterais, proibindo o uso de sistemas abertos. A medida da agência impulsionou os negócios da empresa. A fábrica da Segmenta, localizada em Ribeirão Preto, no interior paulista, recebeu investimentos da ordem de R$ 70 milhões para a instalação de sua quarta linha de produção. Os recursos vieram do financiamento do BNDES. “A resolução da Anvisa fez com que aumentasse muito a nossa demanda por produtos. Foi desafiador atender o mercado nesse período. Isso deu vazão aos nossos projetos de expansão e consolidou a empresa no segmento médico-hospitalar”, avalia o diretor de Marketing e Vendas, Wolney Alonso. Hoje, a capacidade de produção da companhia é de 10 milhões de unidades de soluções fechadas por mês. O resultado pode ser considerado notável para uma empresa que tem apenas dois anos no mercado, como a Segmenta. A empresa é originária do grupo Glicolabor, que em 1998 foi adquirido pela Biosintética Farmacêutica, que foi vendida para a Ache, em 2005. Como a negociação não envolvia a compra da Glicolabor, os mesmos sócios transformaram a marca, e em 2007, fundaram a Segmenta. Já no primeiro ano de funcionamento, em 2007, a empresa faturou R$ 23 milhões. Em 2008, o número chegou a R$ 50 milhões e a previsão é que em 2009 alcance R$ 140 milhões. “Esse crescimento é atribuído ao momento pelo qual a Segmenta está passando, que é o alto aumento de demanda pelas mudanças na legislação. Logo esse número se estabiliza e a nossa expectativa é manter o crescimento entre 20% e 25% ao ano”, reforça o executivo. Para os próximos cinco anos, os planos da empresa contemplam a expansão do portfólio, com a produção de equipos, bombas e sistemas de infusão. A Segmenta já estuda também a possibilidade de estabelecer parcerias no mercado nacional em injetáveis. “Não descartamos a possibilidade de aquisição. Estamos vendo opções que mais se adeqúem aos nossos planos de nos posicionarmos como uma empresa de soluções completas para o mercado médico-hospitalar.” No portfólio da empresa constam soro fisiológico, água para injetáveis, glicose 5% e 10%, ringer, além de antissépticos e saneantes. Visando aumentar a sua competitividade no mercado, a Segmenta também investe na criação de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento. Entre os recursos aplicados, há um crédito de R$ 5 milhões da Financiadora de Projetos e Estudos (Finep), ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. O objetivo é desenvolver produtos internos, diminuindo a dependência de fornecedores estrangeiros. “Hoje todo o nosso equipamento é proveniente da Alemanha assim como a matéria-prima de nossos produtos. Vamos buscar a licença de uso de tecnologia para desenvolvermos tudo aqui, além de nacionalizar os insumos. Dessa forma, aumentaremos nossa competitividade”, salienta Alonso. No pipeline de desenvolvimento da companhia, constarão medicamentos diluídos, como antibióticos; e soluções para hemodiálise. Para ter abrangência nacional, a empresa mantém contrato com mais de 1 mil distribuidores em todo país e ainda mantém um call center para televendas. Para garantir a segurança no manuseio de seus produtos, a empresa implantou esse ano o código de barras bidimensional nas bolsas e frascos e ainda criou marcadores com cores distintas para cada uma das soluções de sistema fechado. Para os próximos anos, a meta da empresa é crescer. “Acredito que acertamos o caminho. Nosso objetivo agora é evoluir no trabalho que já temos feito. Vontade e instrumentos para isso não faltam.”

 

Fonte: Revista Saúde Business - Ano 02 No.12

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